sábado, 28 de novembro de 2009

Amelia Andersdotter: "informação capacita as pessoas e faz com que seja consideravelmente mais fácil para combater as desigualdades"


Amelia Andersdotter, a mais nova eurodeputada do Partido Pirata sueco ,esteve no Brasil durante a semana passada participando do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Ela é coordenadora internacional do PP sueco e veio ao Brasil falar sobre internet e acesso à informação.

Em entrevista à INFO Online, Amelia falou sobre as expectativas do partido para 2010, sobre a participação dos jovens na política e a importância de se garantir o acesso à informação. Confira:


INFO: O que você achou do evento sobre cultura digital que participou no Brasil? Acha que os brasileiros estão engajados nas causas políticas e virtuais?



AMELIA: Penso, sim! É realmente legal ver que o governo brasileiro está fazendo um esforço em manter contato com os movimentos da comunidade e também arranjar eventos sérios para o público sobre o tema. Penso que os fóruns também tocaram em tópicos importantes ao tratar de “boas infra-estruturas de informação” como cabos, educação e facilitação para a livre criação, inovação. Percebo que uma grande parte da constituição brasileira não está ansiosa para receber o futuro como está o Ministério da Cultura, mas todos virão ao redor, creio.



INFO: O que mais a surpreendeu por aqui, em São Paulo?


AMELIA: Em São Paulo? Bom, o fato de que todos se preocupam com carros e trânsito, e um monte de gente parecia muito ansiosa para dirigir sozinho em vez de partilhar o carro (risos).



INFO: Como é seu relacionamento com o Partido Pirata do Brasil? Conte como é discutir política à distância...




AMELIA: Acredito que é bom! Nós nunca tínhamos nos visto antes de minha visita ao Brasil, assim acho que temos um melhor relacionamento agora do que antes. No entanto, um aspecto complicado de discussão política internacional é que é muito difícil para todos ter controle de tudo o que está acontecendo na outra nação. Isto significa que um problema que é enorme na Suécia pode ser de interesse muito raso para os brasileiros e vice-versa – ainda precisamos, talvez, nos aprimorar na hora de informar o outro, ou melhorar no reconhecimento de incidentes que impactarão uma legislação fora de nossas próprias nações.



INFO: Na Suécia e na Europa, o Partido Pirata vem crescendo e ganhando importantes posições. Quais são as expectativas para 2010?



AMELIA: Acho que vamos ganhar assentos no parlamento. O tempo está favorável e estamos maduros. Tenho dificuldades para ver como o Partido Pirata não será necessário, mesmo em âmbito nacional, na Suécia. Os eleitores reconhecerão isso.



INFO: Como você define o eleitorado do Partido Pirata? Percebo que, pelo lado dos críticos, corre certa estigma de que são apenas pessoas jovens, inocentes, e que não possuem uma noção política...



AMELIA: Eles são bem jovens, mas sem noção de política? Isso é enfadonho. Os jovens têm uma mentalidade bem política, e assim como qualquer outra mudança importante na história, pessoas jovens têm a vantagem de compreender e adotar o novo, mesmo politicamente, à frente das pessoas mais velhas. Acho que a popularidade do Partido Pirata entre os jovens mostram que eles não só estão engajados na política em geral, mas também estão dispostos a lutar por seus ideais.



INFO: Qual a tática do Partido Pirata para se popularizar pelo mundo?



AMELIA: O Partido Pirata optou por se concentrar em uma das maiores questões de nosso tempo: como gerimos a informação e o conhecimento em um bom caminho. Isso se tornando uma questão essencialmente importante acho que é uma tática suficiente.



INFO: A realidade sueca é bem diferente da brasileira. O Brasil é reconhecido internacionalmente por possuir altos índices de corrupção e desigualdade social. É possível que, neste cenário, o Partido Pirata do Brasil vença uma eleição e faça bom trabalho?



AMELIA: É claro! Antes de tudo, informação capacita as pessoas e faz com que seja consideravelmente mais fácil para combater as desigualdades – embora possa não ser suficiente, é claro. Em segundo lugar, cair em corrupção é sinal de falta de caráter e não vi isso em nenhum dos piratas brasileiros que conheci.



INFO: Qual é a solução que o Partido Pirata “oferece” para as gravadoras?



AMELIA: Nenhuma. Deixá-las morrer.



INFO: Você baixa muitas músicas, vídeos e outros arquivos pela internet? Que sites usa?



AMELIA: Sim, tudo. Esse é o meu negócio (risos).



INFO: E quanto aos sistemas operacionais, quais usa?



AMELIA: Gentoo e Windows.


Fonte: INFO Online

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por que usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente?

Pra matar a saudade de postar aqui (ainda não posso me dar a esse luxo enquanto não terminar a bendita monografia) vou deixar pra vocês um texto bem legal sobre a relação entre o uso de software livre e a preservação do meio ambiente. O texto foi publicado originalmente na rede social do Software Livre Brasil, na página do Vicente Aguiar. Espero que gostem!



No dia 04 de outubro, a Revista Muito, ligada ao Jornal Atarde aqui de Salvador, fez uma matéria sobre o "Consumo Verde", quano foi destacada a relação entre software livre e a preservação do meio ambiente. Como eu participei dessa matéria, assinada pela jornalista Katherine Funke, achei que seria importante mostrar, com um pouco mais de detalhes, como isso acontece na prática.

Sendo assim, segue abaixo algumas pesquisas e projetos que demonstram como usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente:

Diminuição do consumo de energia

Um estudo da IBM em 2009 demonstrou que uma série de medidas adotas pelo sistema operacional GNU/Linux diminuem o consumo de energia de um computador/Servidor. Essas e outras medidas também fazem parte de um projeto internacional, apoiado pela Intel Corporation, denomindo LessWatts.org .

Dentre os vários projetos existentes nessa iniciativa, gostaria de destacar o "PowerTop". Esse utilitário fornece uma análise detalhada da performance de consumo de energia de um computador - e ainda dá dicas como melhorá-la. Isto porque, o PowerTOP é uma ferramenta do GNU/Linux que verifica os componentes de software que tornam o consumo de energia do sistema maior do que deveria estando no estado ocioso. A partir kernel versão 2.6.21 , o kernel não tem mais uma marcação de timer fixada em 1000Hz. Isto pode dá uma enorme economia de energia, porque a CPU fica em modo de baixa energia por longos períodos de tempo durante o sistema ocioso. Para mais informações (em português), acesse aqui.

Além disso, para quem é usuário do Desktop GNOME, é possível usar o "GNOME Power Manager" que permite qualquer usuário configurar as opções de consumo de energia do seu computador. Normalmente, ele é encontrado no Painel GNOME, como também em "Preferências" no Menu GNOME, mais especificamente em "Gerenciamento de Energia".



















Aproveitamento de Hardware

Uma das características mais interessantes do GNU/Linux é a sua alta performance em termos de aproveitamento de hardware. Isso também foi comprovado pela pesquisa da IBM. Segundo ela, o sistema operacional GNU/LINUX apresenta melhor performance ambiental ao necessitarem de requisitos mínimos de hardwares para funcionar, segundo mostra a tabela abaixo:

Tebelapesquisaharwarelinux

Um outro projeto que representa bem essa capacidade é o Linux Terminal Server Project (LTSP). O LTSP é usado como solução para performance de computadores antigos e para implementação de uma rede de baixo custo. Motivo esse que leva esse projeto a ser usado em escolas, telecentros e projetos de metareciclagem por todo mundo.

Com essa solução é possível ter um servidor principal (geralmente um micro de melhor performance, no qual está instalado o LTSP) e vários clientes conectados via rede a este servidor. Assim, com um servidor não muito potente (ex: 3 Ghz e 2 GB RAM) podemos ter, por exemplo, trinta PCs 486s "pendurados"no servidor, rodando softwares de última geração. Saiba mais (em português)...


LTSP


Muitos usuários de computador não imaginam o que um simples PC é capaz de fazer e o não conhecimento de soluções como a "Multihead" no GNU/Linux é um exemplo claro disso. Afinal, como o próprio nome já informa ("MultiHead" vêm do inglês "cabeças múltiplas"), a idéia do multi-head é otimização e melhor aproveitamento dos recursos que temos em termos de harware de um computador pessoal.

Em outras palavras, isso significa, por exemplo, usar quatro moniotres, quatro teclados e quatro mouses ligados num mesmo gabinete (vulgo "CPU") para quatro usuários, ao mesmo tempo. Parece milagre? Saiba mais e veja que não...



Agora, por meio de todos esses projetos (e por outros projetos ligados ao GNU/Linux que ainda possam existir!), fica mais fácil entender porque usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente. :-)


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Senado aprovou hoje lei que obriga cadastro de usuários de lan houses e cybercafés

Hoje o poder público brasileiro deu mais um passo em direção ao cerceamento da liberdade dos internautas. Foi aprovado no Senado um projeto de lei que obriga as lan houses e os cybercafés a manterem um banco de dados com o cadastro de seus usuários.

Neste cadastro deverá conter o nome do usuário, o número do seu documento de identidade, a identificação do computador e o período em que ele foi usado, com data e horário de início e término da conexão.

Os dados devem ficar guardados por um período mínimo de 3 anos, permanecendo sigilosos, podendo ser divulgados apenas por determinação judicial. Quem descumprir a lei poderá receber multa entre R$ 10 mil e R$ 100 mil ou até ter seu estabelecimento fechado pela Justiça.

O projeto é de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES) e teve como relator o ícone do vigilantismo, ele, o matuto digital do senado, o cara que não cansa de atentar contra a liberdade dos internautas, Eduardo Azeredo (PSDB-MG). O projeto agora seguirá para a câmara e se lá for aprovado segue para a sanção do presidente.




O senador Gerson Camata justifica sua proposta (PLS 296/08), dizendo o seginte:

A internet tem sido utilizada para a prática de diversos tipos de crimes, desde delitos contra o patrimônio (mediante acesso não autorizado a contas bancárias e outras fraudes) a casos de pedofilia e que , em muitos desses crimes, os delinquentes utilizam terminais de acesso disponíveis ao público, principalmente em cybercafés e lan houses, para evitar sua identificação. A grande maioria desses estabelecimentos não exige identificação de seus usuários, o que permite a atuação virtualmente anônima dos malfeitores.

Ainda segundo ele, o que se espera com essa proposta é ampliar a eficácia no combate aos crimes cibernéticos, na medida em que as lan houses e cybercafés representam brechas às quais os criminosos recorrem.



Essa PLS do Camata me parece mais uma daquelas típicas propostas que prefere "acabar com o crime matando o criminoso".


Pelo visto os ataques à nossa liberdade não cessarão, enquanto não for criado um marco legal que garanta aos internuatas o direito à liberdade e ao anonimato na rede, entre outras coisas.



Primeiro o AI-5 digital do Azeredo, depois a famigerada lei eleitoral, agora essa proposta absurda do Camata. Aonde vamos parar com tanto controle?


Fonte: Agência Senado

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

COMBO, a collaborative animation

Diga lá, comparsas do cibermundi. Rapaz, tô morrendo de saudades de postar coisas aqui, mas ando muito aperreada com a minha monografia, escrevendo e lendo feito uma doida, chegou a hora de se formar, aí já viu, o bicho pegou!

Pois é, enquanto isso, tô só pelo identi.ca mesmo, postando coisas que não exigem muita eloboração e nem muito tempo, quando terminar essa monografia, lá pelas quebradas de dezembro, volto a me dedicar mais a esse espaço.

Dei uma passadinha por aqui hoje por que vi um vídeo indicado pelo comparsa Xikaum, do Pé de Pinico, que é a maior piração e aí achei interessante postar pra vocês. O vídeo foi feito de forma colaborativa pelos artistas Blublu e David Ellis, junto com a animação do pessoal do Studiocromie. Vale a pena ver, é a maior viagem! Ah, ele tem 8 min, mas quando chega nos 4 min ele se repete, então, se não quiserem esperar carregar todo pra assistir basta carregar só 4 minutos. Ok?

Então, vamo lá!







bai!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cibercultura 10+10

Repassando post publicado no Trezentos...

Gilberto Gil, Pierre Levy, André Lemos, Laymert García, Alfredo Manevy, Cláudio Prado e Sérgio Amadeu estarão juntos discutindo a cibercultura. O primeiro dia, quinta-feira agora (dia 1º), será uma discussão sobre os últimos dez anos e sobre os próximos dez. Daí o nome do evento: Cibercultura 10+10.

A sexta-feira (dia 2) será outra coisa: uma oficina de remix. Gilberto Gil fará um recorte de toda sua discografia, com foco na tecnologia. O áudio e o vídeo estarão disponíveis pra serem retrabalhados, uploadados, remixados. Direitos liberados. E os palestrantes do dia anterior continuam na mesa, dialogando com Gil e suas canções.

Ao lado de oficineiros e do público, que irão ajudar a capturar e a editar o material na hora. Mas depois, também, quem fizer upload com a hashtag #10mais10 poderá ver sua produção fazer parte do material que será editado.

O encontro inusitado e a ideia do remix é organizado pelo Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e por grupos que participam da Casa de Cultura Digital, e conta com patrocínio da CPFLCultura e apoio da Prefeitura Municipal de Santos.

Esse conjunto de discussões e de oficinas sobre cultura digital e suas relações com as linguagens artísticas como música, literatura, e artes visuais ocorre nos dias 1 e 2 de outubro no Teatro Guarany.

Programação

01 de outubro de 2009


Seminário – com duas mesas de debates
Horário: 10h às 18h, com intervalo para almoço
ENTRADA: A entrada será gratuita, por ordem de chegada, com abertura da bilheteria uma hora antes do início do evento.
Participantes das duas mesas: Pierre Levy, Gilberto Gil, Sérgio Amadeu, Laymert Garcia dos Santos, André Lemos, Alfredo Manevy e Claudio Prado

02 de outubro de 2009


Oficina de Remix com Gilberto Gil e Bem Gil e convidados
Horário: 10h às 18h, com intervalo para almoço
ENTRADA: A entrada será gratuita, por ordem de chegada, com abertura da bilheteria uma hora antes do início do evento.

Os dois dias de evento serão realizados no teatro Guarany, na praça dos Andradas, sem número, no centro de Santos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Software Freedom Day 2009 Teresina

Pessoal, desculpa a demora pra escrever sobre as impressões do Software Freedom Day 2009 Teresina, eu estava atarefada (ainda estou pra falar a verdade) e também um pouco sem paciência pra escrever. Mas, superada a impaciência vamos lá!

O evento aconteceu no último sábado pela manhã no auditório do IF-PI. Pra um sábado de manhã até que teve uma participação considerável de pessoas. Como divulgado na programação, primeiro tivemos a palestra do Sandro Andrade, que faz parte de uma equipe baiana que ajuda no desenvolvimento do KDE.


Sandro Andrade (KDE e UFBA)

O Sandro começou sua palestra falando sobre o projeto KDE, apontando algumas estatísticas sobre o número de pessoas ao redor do mundo envolvidas com o projeto. Depois falou sobre o Qt e suas ferramentas e sobre os motivos que levaram o KDE a adotá-lo. Em seguida fez uma sessão de "Porque e como contribuir com projetos de software livre", explicando aos participantes como eles poderiam ajudar também no desenvolvimento de um projeto de software livre. Por último, o Sandro explicou como funciona o Google Summer of Code: quem pode participar, como e o que fazer para. Ele informou que o Brasil é o 5 país em número de participações no Summer of Code e que as instituições que mais participam são: UNICAMP, USP, UFRGS, UFBA, UFPE e ITA.

Terminada a palestra do Sandro, começa a do Paulo Meirelles, que faz parte do Centro de Competência em Software Livre da USP (CCSL-USP). O Paulo apresentou pra gente o projeto do CCSL , disse que a USP está construindo um prédio de 3 andares especialmente para esse Centro de Competência. Ele enumerou também algumas razões para se envolver com Software Livre, destacando a importância da formação das comunidades para o desenvolvimento de projetos. Fez questão de ressaltar que sem a comunidade os maiores benefícios do Software Livre não serão obtidos. E por último, apresentou os projetos que o CCSL desenvolve: AAAp (ensino de programação), AcMus (acústica), Borboleta (saúde pública), Archimedes (CAD), EGene (bioinformática), Groupware Workbench, InteGrade (grades), scriptLattes, Segmentação de Vazos, Tango.




Bem, as impressões que ficaram das palestras foram muito boas. As falas do Sandro e do Paulo deram um certo gás no pessoal daqui, que não tá muito acostumado com essa discussão sobre projetos de software livre. O contato com pessoas que estão desenvolvendo projetos na área foi bem incentivador para nós. Acho que esse evento abriu muitas perspectivas, no sentindo de que viu-se a partir da fala dos meninos que é possivel sim trabalhar com software livre, ganhar dinheiro prestando serviços na área, desenvolver pesquisas, enfim, viu-se que o software livre é rico em possibilidades.

Depois do evento tivemos novas incrições na lista do PSL-PI, começamos também uma discussão sobre a possibilidade de montarmos um grupo de desenvolvedores do KDE aqui no Piauí. Ao que tudo indica iremos colher bons frutos desse evento.

Por fim, gostaria de agradecer a todos que participaram do evento, aos palestrantes e aos patrocinadores; e dizer que esperamos todos novamente no Software Freedom Day do próximo ano.

Be free!

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